Introdução – Deus não é culpado

É impressionante ver como são absurdos os argumentos que giram em torno do assunto predestinação e livre arbítrio. Motivo de indignação é notar como certos intérpretes das Sagradas Escrituras, agarrados em tradições calvinistas, tentam escapar do ensinamento bíblico negando a responsabilidade humana e envolvendo multidões em complicações doutrinárias sem fim.

Será mesmo verdade que Deus é o responsável por todas as ações dos homens? Perguntando de outra forma: É Deus quem impulsiona o ser humano para que ele arrisque a vida praticando loucuras inimagináveis ao ponto de sofrerem mortes terríveis?

Observe a foto acima. Na opinião dos calvinistas foi Deus quem agiu na vontade desse indivíduo para que ele, além de construir uma pequena casa em cima de uma árvore na beira de um precipício, pudesse também desfrutar de um balanço na direção do mesmo. É evidente que há algo de muito errado com essa estranha e milenar doutrina do destino traçado de antemão. O preço que os mensageiros da predestinação fatalista precisam pagar pela sua perspectiva errônea da soberania divina relacionada ao livre arbítrio do homem é ainda mais alto do que apenas arruinar a reputação de Deus.

O calvinismo envolve a pessoa em dificuldades agonizantes de primeira grandeza. Faz com que Deus se transforme num tipo de terrorista que vai por aí distribuindo tortura e desastre, e até mesmo exigindo que as pessoas façam coisas que a Bíblia diz que Deus aborrece. O primeiro problema é que, pela lógica, tal conceito torna Deus a causa eficiente de todas as decisões livres, inclusive as más ações. Se os seres humanos, agentes individuais, não são as causas eficientes reais do mal, é Deus, então, quem pratica os raptos, os assassinatos, e outras crueldades, usando seres humanos. Tal conceito é biblicamente herético, e moralmente repugnante.

Esta perspectiva teológica do livre-arbítrio elimina toda a responsabilidade moral. Ela enseja que o homem não é a causa eficiente de suas ações, mas apenas o instrumento. Assim, por exemplo, um assassino não poderia ser mais culpado do que o revólver ou a faca (instrumentos do assassinato). De modo semelhante, não se pode culpar racionalmente um carro dirigido por um péssimo motorista, como criminoso, visto que foi apenas o instrumento que causou o dano. O responsável é o motorista. Em suma, o determinismo moral faz Deus imoral, e o homem amoral.

Não há maneira de limpar a reputação de Deus, num caso assim. Não é preciso a pessoa pensar muito para responder por que muita gente torna-se descrente, ou ateu, ao defrontar-se com tal teologia. Um Deus assim teria muita coisa por que responder. Por outro lado, Deus saber de tudo que vai acontecer e de tudo que está acontecendo, não significa que ele é o agente causador de todas as ações dos homens. Ademais, você vai descobrir que Deus não volta ao passado vem ao presente e vai ao futuro como alguém que fica indo para trás e para frente no tempo, mas que ele age em tempo presente e em sequência, acompanhando a história cambiante. Veja o tópico Deus e o Tempo.

Observe o exemplo de uma história cinematográfica. Quando colocamos  um  dvd num aparelho, e mesmo antes de iniciarmos o filme, sabemos que o fim já existe e está inalterável. Tudo que o diretor determinou, não pode, de forma alguma, ser alterado: os gestos do ator, a fala, a maneira de sentar e levantar, como pegar o copo e etc – tudo foi determinado pelo diretor de antemão. Não podemos de forma alguma transferir esse quadro para Deus, acreditando ser ele semelhante a um novelista ou autor de peças teatrais. É um erro mortal acreditar que Deus é como um diretor implacável, que tenha determinado todas as ações dos seres humanos, mesmo antes de terem nascido, manipulando, desde a eternidade passada, em minúcias, cada gesto e fala das suas criaturas. Certamente Ele não criou nosso mundo assim. Se fosse dessa maneira, então Deus passaria a ser o responsável por tudo de ruim que acontecesse na face da terra, o que não está de acordo com as Escrituras, a qual diz que tudo que Ele  fez foi muito bom, em contraste ao que o homem fez posteriormente,

Gên 1:31 – E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom…”. Salomão acrescenta que “… Deus criou ao homem reto, MAS ele se meteu em muitas astúcias“, Ecl 7:29..

Deus não foi o causador de todas as desgraças que presenciamos. Saber do que pode ocorrer amanhã, não faz dEle o agente causador e nem o impulsionador do mau. Deus não puxa o gatilho do revolver do assaltante. Deus não é o responsável, pois “Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna“. Isaías 24:5

É lógico que Deus persegue energicamente a causa do estabelecimento de Sua vontade para o mundo em todas as áreas, mas, isto não significa que a vontade de Deus seja feita, de fato, em todos os casos. Bem ao contrário, Jesus deixou claríssimo que os fariseus  “rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus” (Luc. 7:30). Não estavam numa posição em que poderiam impedir a consecução da vontade de Deus para o mundo todo, mas podiam rejeitá-la totalmente, para si mesmos.

Deus não quer que alguém se perca — entretanto, alguns se perdem. Deus não quer que os maridos batam em suas esposas – entretanto, algumas esposas apanham. Deus quer que todos se salvem, mas nem todos se salvam. Jesus almejava juntar os judeus como uma galinha junta seus pintinhos, mas eles não quiseram. Deus não queria que eles resistissem ao Espírito, mas eles resistiram

Eu tentei me aprofundar neste tema, procurei evidencias na Palavra e analisei muitas outras posições controvertidas resumindo aqui aquilo que desejo recomendar àqueles que se aventurarem nesta leitura. Cheguei a conclusão que o calvinismo radical, ou hipercalvinismo (1), carece de evidência bíblica.

Deus e as ações do Homem

“Parece que a Bíblia apresenta uma abordagem pré-teórica do relacionamento entre a soberania divina e o livre-arbítrio humano. Algumas passagens parecem apoiar a ideia de que Deus determina as coisas. Porém, outras passagens, com a mesma força, enfatizam um livre-arbítrio muito significativo para os seres humanos. Certa tensão permeia os textos bíblicos; em parte alguma se vê uma tentativa de resolução definitiva. Num dado nível,  há os crentes pensantes, não acostumados a aceitar contradições na Bíblia; eles poderiam perguntar se devem aceitar esta aparente contradição, como se lhes exige. Ficam imaginando se os termos foram devidamente definidos, ou se foram já bem exploradas todas as possíveis maneiras de relacioná-los.

Num segundo nível situam-se os céticos, que se perguntam se o teísmo cristão é coerente, ao afirmar a soberania de Deus e o livre-arbítrio humano, ambos ao mesmo tempo. Nas mentes de alguns ateus, a crença  na divina soberania  elimina a liberdade humana, tornando impossível a explicação do mal  neste mundo. Será alto o preço a ser pago, em termos de evangelismo, se não pudermos oferecer uma hipótese racional que explique a soberania em face do livre-arbítrio.

Num terceiro nível, encontramo-nos face a face com as implicações práticas que este estudo  focaliza. Os crentes querem saber porque “Deus planejou” tragédias que os atingiram, e porque o mundo está cheio de misérias. Perguntam eles: Que liberdade tenho eu, se Deus sabe de antemão todas as coisas que decidirei fazer? O comichão para entender melhor a relação porventura existente entre o livre-arbítrio e a soberania divina não vai desaparecer.

Contudo, não nos desesperemos. Há maneiras de entender esse relacionamento, de modo a satisfazer os dados   bíblicos e as exigências da inteligência, uma teoria que não precisa postular uma contradição básica entre soberania e liberdade.

Como criador do mundo, Deus é soberano, no sentido fundamental. Ele decidiu trazer a existência um mundo cheio de agentes com capacidade de fazer escolhas. Podemos dizer: agentes significativamente livres. De acordo com sua decisão, Deus  governa o mundo de maneira a sustentar, e jamais negar, o caráter e as estruturas deste mundo. Visto que o homem foi criado com a capacidade de aceitar ou rejeitar as coisas de Deus, está aberta a realidade e não fechada. O relacionamento de Deus com o mundo é dinâmico, não estático.   Embora isso exija de nós que repensemos os aspectos do teísmo clássico, ou convencional, receberemos ajuda para relacionar a soberania e o livre-arbítrio mais coerentemente, na teoria, e mais satisfatoriamente , na prática”. (2)

A razão destes estudos

Muito já se escreveu sobre predestinação e livre arbítrio. Não pretendo que este modesto estudo seja um trabalho definitivo em torno do assunto. A finalidade aqui não é acrescentar algo mais à interpretação convencional. O texto é polêmico,  mais não é cansativo. Não pretende ser uma análise completa do tema. Assim, este site se coloca a disposição de toda avaliação. Ao encerrar a leitura é bem possível que o você fique surpreso, tendo a certeza de que somos muito importantes para Deus. Descobriremos que  temos uma responsabilidade enorme em nossas mãos. E tenha a certeza de que me esforcei ao máximo para não confundir a sua leitura; também desejo esclarecer: não sou um teólogo profissional, sou leigo, reconhecendo humildemente que não detenho o monopólio de interpretação das Sagradas Escrituras.

Em minha opinião os artigos apresentados são de grande ajuda para aqueles que ainda têm dúvidas com relação ao assunto. É possível que decepcione alguns. Não importa. Se eles nos levam – com todo o contexto do estudo – a visualizar Deus e o seu projeto de salvação de uma maneira correta, gerando em nós um conhecimento mais sadio com relação a ele mesmo e o nosso futuro, aumentando nossa fé, comunhão e amor para com o próprio Deus, eu ficarei satisfeito.Espero também não ser assado vivo na fogueira da inquisição tradicional calvinista e intolerante, de mente fechada e farisaica que não suportou nem a cruz de Cristo sobrecarregando a Igreja com doutrinas estranhas e desnecessárias.

Não se escandalize, pois o que você tem diante dos seus olhos pode ser a legítima expressão da verdade, que certamente fará você desistir do “Deus” apresentado pelo  Catolicismo Romano e de muitas coisas que ouvimos dentro de nossas próprias igrejas. Portanto, tenha como certo: não duvide jamais da existência de milhares de cristãos dentro cristianismo vitimados por  heresias de perdição (2 Pe 2:1) que foram disseminadas através de mandamentos de homens, e que hoje, fossilizadas na rocha da tradição, tornaram-se um obstáculo para aceitação da sã doutrina. Foram heresias desse tipo que nos legaram um Deus mago, nos apresentando de forma camuflada um Criador, que assentado em seu trono apresentou-se como um ser possuidor de uma bola de cristal, e que, sendo escravo de suas próprias decisões,  locomove-se ao passado, presente e futuro, tentando manter funcionando a todo custo aquilo que já determinou para a raça humana. Esse Deus, que não parece o Deus das Escrituras, adentrou na nossa educação cristã brincando conosco como se fosse um autor de novelas, que escreveu de antemão os próximos capítulos – se não todos – de nossa vida e dos acontecimentos no mundo, sendo incapaz de mudar o curso da história, por ter, ele mesmo, supostamente determinado desde os primórdios da criação, em minúcias para cada ser humano, todas as coisas que deveriam acontecer.

Aconselho que você leia os tópicos com calma e atenção para não se embaraçar. Lance fora todas as tradições e preconceitos. Predestinação e Livre Arbítrio está a disposição de toda a avaliação. Procure não fazer nenhum julgamento doutrinário precipitado, pois as dúvidas que aparecerem em algumas seções poderão desaparecer a medida que a leitura vai avançando.

1         Entende-se por “calvinismo radical, ou extremado, a doutrina que prega a dupla-predestinação, e que nega a          responsabilidade humana; que Deus já determinou, desde a eternidade, os que serão salvos e os que não serão salvos. E eles anulam a preocupação por missões e evangelização.

2    Predestinacao e Livre Arbitrio – Autores: Norman Geisler, John Feinberg, Bruce Reichenback, Clark Pinnock – Editora MUNDO CRISTÃO

Última edição em 16/01/2016

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20 comentários sobre “Introdução – Deus não é culpado

    1. Obrigado pela visita, Luciano.

      Glória a Deus se você está sendo edificado. Leia o site todo para ter uma visão melhor.

      O site ainda está em construção, mas 70% dos artigos já estão expostos.

      Abraços e fique na paz do Senhor Jesus

  1. Parabéns!

    Para um leigo (como dito por você) você é mais didático em teologia do que muutos teólogos formados por aí. Seu texto clarificou diversas dúvidas e corroborou algumas quase certezas que eu tinha.

    Vou salvar o link para enviá-lo à alguns amigos recomendando a leitura.

    Obrigado!

  2. Gostei muito do seu artigo. Simples, direto, didático, esclarecedor e principalmente nos faz ver o Deus ensinado nas escrituras. Esse Deus que nos trata como “marionetes” é no mínimo o antônimo do Pai amoroso e justo que as Escrituras nos apresentam. Precisamos ter cuidado com as ideias que compramos. Deus nos dotou de inteligencia mas somente aos pés Dele conseguimos alcançar a Sabedoria. Temo por idéias equivocadas no que se refere ao meu Deus… obrigada por suas colocações, contribuiram em muito para acrescentar conhecimentos em concordância com o que creio.

    1. Muito bem, Wanessa, está no caminho certo. Predestinação e Livre Arbítrio é um assunto perigoso, mas se for discutido com coerência e de forma bíblica, as dúvidas se evaporam.

      Obrigado pela visita

  3. Eu creio que o irmão disvirtuou a posição calvinista do assunto. Como diz”comeu pelas beiradas” e desviou-se da essência do assunto. Todos nós temos algo das duas posições. Por exemplo vc vai dizer que o crente em Jesus pode perder a salvação ou que Deus foi frustrado no propósito de salvar o ser humano?

    1. Nenhuma e nem outra; Deus está no controle.

      Deus não fica roendo as unhas como alguém ansioso sem saber o que fazer diante de uma situação difícil e inesperada. Porém, Ele deseja que o ser humano responda ao seu chamado.

      Leia essa passagem e me diz como você vê Deus. Aqui é Ele falando através do profeta:

      Oseias 6:4 Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa.

      Leia todo o site, amigo. Vai tirar suas dúvidas.

      Abraços fraternos

    1. Olá Elias, me desculpe se não lhe respondi antes.

      Não tenho apostilas dos assuntos, mas costumo salvar todos os artigos aqui postados.

      Fique a vontade para copiar e reproduzir o que desejar de todo o site.

      Abraços

  4. Muito bom! Fui criado numa igreja calvinista, e ano passado passei por uma crise em que ficava em dúvidas se Deus determinou tudo, e se ele determinou que não ouviria algumas orações que fizesse, então não valeria a pena orar, pois estaria perdendo tempo dando palavras a Deus que ele, não ouviria, pq decidiu não ouvir… Ainda tenho problemas em relação a isso, pq muitas vezes penso que Deus tem dificuldades em atender as minhas orações, pq como sendo Deus, só possui um único atributo, a SOBERANIA, e como sendo soberano, decide fazer o que quiser, sem a possibilidade de mudança… Então ficava em choque, se de fato Deus me atenderia ou não… Vou continuar lendo seus artigos…. E espero poder ser liberto dessas minhas neuroses espirituais…

    1. Diego, posso lhe dar dois conselhos que podem mudar toda sua vida. Primeiro: fuja do Calvinismo e das Igrejas que defendem tal doutrina.

      Segundo: leia o site todo, principalmente dando atenção à dois artigos: “Escrito e Determinado” e “Deus e o Tempo”

      E não esqueça jamais: O Calvinismo é pior do que o Ateísmo.

      Estamos orando por você

      Abraços

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