Criados programados para pecar

adam-and-eveO que foi que o Senhor perguntou aos nossos pais no jardim imediatamente após a queda? Difícil esquecer a frase,  “Que é isto que fizeste? (Gên. 3:13).

Alguém já se perguntou que a  rebelião do primeiro casal não estava planejada e arquitetada por Deus?  Muitos não creem dessa forma, mas acham que eles foram impulsionados por uma força interior irresistível, que seria o próprio Deus. É aquela velha história de destino planejado por antecedência que não sai da mente do cristianismo convencional.

Muitos acreditam que o Senhor sabe todas as coisas por antecipação por que elas foram determinadas desde a fundação mundo – Essas coisas já aconteceram na eternidade de Deus. Dessa maneira, fazem com que o Senhor seja o responsável direto pela execução do bem e do mal de forma implacável, acreditando que tudo foi, e é, planejado antecipadamente pela irresistível vontade e soberania de Deus, que nada pode alterar porque tudo foi determinado por Ele mesmo.

Seria um verdadeiro absurdo e uma perversão sem medida acreditarmos que Deus havia determinado a queda de Adão e Eva e depois ainda ter  responsabilizado o casal pelo desastre, punindo-os severamente. Impossível concebermos a ideia de que Deus tenha  programado os nossos primeiros pais para comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal, visto que antes Ele os advertiu a não comerem: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”, Gen 2:16,17.

Certamente nossa rebelião é prova de que nossas ações não são determinadas de antemão, mas significativamente livres. Até mesmo pelas decisões tomadas após a queda no Éden, Jesus responsabilizou os judeus quanto a resistência deles em obedecer, visto que “vós não o quisestes” (Mat. 23:37). A verdade   é que o homem arruinou todo o plano que Deus elaborou para ele. Observe  Ecl 7:29 com Isaías 24:5.

Eis aqui, o que tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, porém ele se meteu em  muitas astúcias”.

Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna”.

Portanto, a desobediência ultrapassou os limites ordenados por Deus e estragou um mundo que foi criado como “bom” (Gn 1.31).

Alternativas moral e espiritualmente responsáveis são postas diante dos seres humanos por Deus, deixando a escolha e a responsabilidade para eles. Jesus disse aos judeus incrédulos do seu tempo: “Se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados” (Jo 8.24). Logo depois Jesus responde diante da proposital teimosia deles: “Eu  lhes disse, mas vocês não creem” (Jo 10.25). Lucas acrescenta: “Os fariseus e os peritos da lei rejeitaram o propósito de Deus para eles, não tendo sido batizados por João”. Atos 7.51 afirma: “Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês  são iguais aos seus antepassados sempre resistem ao Espirito Santo!”.

Amado leitor, percebeste o que está acontecendo aqui? Deus está falando com o povo considerado predestinado. Jesus adverte àqueles que são chamados de escolhidos dele, e pelo que podemos observar eles rejeitam as palavras de Deus. Isso contradiz a mensagem dos ministros da predestinação fatalista, quando anunciam que os eleitos são programados de antemão para aceitar as verdades de Deus quando esta chega até eles. No entanto, o que percebemos é que na hora em que foi convidado para aceitar O Messias, seu povo o abandonou!

O que mais poderia ser pior do que isto para os calvinistas radicais, “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam?”, João 1:11.

Acompanhem novamente as palavras de Jesus diante daqueles que foram  considerados povo de propriedade exclusiva de Deus, os predestinados judeus – dizem  que mais predestinado do que judeu não existe: “Se não crerem… morrerão em seus pecados”. Tente o leitor imaginar o povo de propriedade exclusiva de Deus indo para o inferno? Afinal de contas quem eram os Judeus? Olhe acima e observe que eles foram repreendidos por Jesus por terem rejeitado o que Deus, primeiro, preparou para eles, e vinham fazendo isso há séculos!

Atente também para as palavras de Jesus aos “predestinados judeus” em João: “Eu já lhes disse… mas vocês não creem” – não querem saber… não ouvem. O argumento é forte, mas a questão é: predestinado ou não, somos capazes de rejeitar o que Deus preparou para nós e lançar nossas vontades contra os propósitos de Deus.  Por isso não devemos crer que já nascemos programados por Deus para sermos melhores ou piores, desde a fundação do mundo. Digo isso por causa daqueles que pregam que os escolhidos por Deus, enfim, virão e o obedecerão, pois para isso foram predestinados. É como dizer que os predestinados virão na hora certa. Provavelmente os apologistas do calvinismo radical não são capazes de responder por que os Judeus não reconheceram o tempo da sua visitação. E se alguém fizer alguma objeção, alegando que era necessário que assim acontecesse, então porque os judeus foram punidos? Ora, se estavam fazendo exatamente aquilo para o qual Deus os programou de antemão para fazerem, porque foram tão severamente castigados?    A resposta é por demais simples: Eles erraram quando não deviam.

Embora não sejamos dualistas, devemos admitir que a história hoje se nos apresenta à semelhança de uma luta entre forças conflitantes, ao vermos as criaturas em franca rebelião contra Deus. De acordo com a narrativa bíblica, o conflito entre Deus e os homens é muito real. Podemos não ser capazes de frustrar os planos de Deus para o mundo, mas é certo que podemos arruinar o plano que Ele traçou pessoalmente para nós, e, semelhantemente aos escribas, podemos rejeitar os propósitos de Deus para nossas vidas (Luc. 7:30). A Bíblia concorda com nossas intuições a respeito de nossas decisões e nosso comportamento moral. O pecado pelo qual Deus nos condena é aquele que não tínhamos que cometer.

Naturalmente, há condições que existiam antes de tomarmos nossas decisões, e que as afetaram, e nossas ações não são todas livres por igual. Mas, o ponto central é que temos realmente a capacidade, no momento de decidir, de executar atos que poderiam ser substituídos por outros, e tomar decisões para as quais havia outras alternativas. O verdadeiro amor implica na possibilidade de não cometer-se pecado. Não faz sentido afirmar-se que agimos livremente se, de fato, estamos fazendo aquilo que Deus, desde a eternidade, nos predestinou para fazer. Não faz sentido os galardões, não faz sentido os apelos, não faz sentido absolutamente nada! Tanto a Bíblia como a razão não veem sentido em tal proposição.

Uma importante implicação desta forte definição de livre-arbítrio é que a realidade permanece, em certa extensão, aberta, e não fechada. Isto significa que uma novidade genuína pode aparecer na história, que não poderia ser prevista por ninguém. Se à criatura foi concedida certo grau de liberdade e habilidade de decidir por si própria como serão determinadas coisas, estas não podem ser conhecidas de antemão, de modo infalível. Tal conceito implica em que o futuro realmente está aberto, e não disponível à exaustiva presciência. Assim, fica bem claro que a doutrina bíblica do livre-arbítrio humano exige de nós que reconsideremos a perspectiva da onisciência de Deus. Além do mais, se a história é conhecida de modo infalível e certo desde a eternidade, segue-se que o livre-arbítrio é uma ilusão. Por exemplo, não haveria outra alternativa para Adão, senão pecar, e ele pecou. Mas, de acordo com o pensamento bíblico, se não tivesse havido uma genuína possibilidade para Deus ter agido corretamente, naquela circunstância, ele (Adão) não teria sido, de forma alguma, um agente livre.

Tudo se resume em desobediência e incredulidade

É verdade que Deus não se comporta como alguém que fica roendo as unhas, ansioso e sem saber o que fazer. Mas, Imagine Deus agora, tente focalizar que tipo de sentimento Ele tem, pois Ele é uma pessoa, e as vezes, ou sempre, nós esquecemos que Ele é também Pai. Falando através do  profeta Oséias (6.4) com  relação à persistente desobediência de seu povo, e que fazem eco nos dias de hoje, Ele brada descontente: “Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho da manhã que cedo passa”. Compare com Oséias 11. 1 a 5, e atente para a última parte do versículo 5. Veja também, que palavra tremenda em Jeremias 2:36: “Porque te desvias tanto, mudando o teu caminho…?” Mudando, mudando, mudando e mudando. São eles, e não Deus quem os está induzindo.  Veja o que Deut. 32:5 e 6 diz sobre isso: “Corromperam-se contra Ele; já não são Seus filhos… é assim que recompensas ao Senhor, povo louco e ignorante?” Neemias 9:35 também tem alguma coisa a nos dizer: “Pois eles no seu reino, na muita abundância de bens que lhes deste… não te serviram, nem  se converteram de suas más obras…”

A Bíblia declara que as pessoas, individualmente, são responsáveis por suas decisões morais e até mesmo por seu destino eterno. Adão e Eva receberam a ordem de não comer do fruto proibido (Gên.2:16,17). Quando desobedeceram, Deus perguntou: “Que é isto que fizestes?” (Gên.3:13). Adão admitiu: “Eu comi” (v.12). Prosseguiu Deus, dizendo: “Visto que atendeste a voz da tua mulher e comeste…” (v.17) e logo em seguida veio a sentença. Tudo havia mudado.

Através de toda a Bíblia, Deus convoca as pessoas para tomarem uma decisão. Josué desafiou a Israel ao perguntar: Escolhei hoje a quem sirvais” (Josué 24:15). Elias vergastou a Israel ao perguntar: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos?” (I Reis 18:21). Na  verdade, Jesus  responsabilizou o povo ao clamar : Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviadosQuantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintainhos debaixo das suas asas, e vós não o quisestes” (Mat.23:37).

A expressão, “quantas vezes”, inserida no texto, elimina toda a esperança dos Calvinistas – esclarece que decisões deveriam ser tomadas num certo tempo durante as exortações, mas não foram. Em outras palavras: eles desobedeceram a Deus quando deveriam não fazê-lo. A história poderia ter sido escrita de outra forma. De fato, até mesmo nosso estado de ignorância e depravação é atribuído à nossa própria vontade . Disse Pedro: “Porque deliberadamente ( por sua própria vontade ) esquecem ( o que Deus disse )” (II Ped.3:5). Em Romanos está declarado o seguinte: “…desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça” (Rom.6:16). Até mesmo o mundo pagão que conhecia a verdade acerca de Deus mediante a revelação geral foi responsabilizado e tido como “homens… Indesculpáveis” diante de Deus, porque “detém” a verdade (Rom.1:18-20). Sobre os “incrédulos” caiu uma cegueira espiritual por terem escolhido a incredulidade (II Cor.4:3-4). De acordo com Paulo são “obscurecidos de entendimento” e vivem na “ignorância” da verdade, mas tal estado é devido à dureza de seus corações (Ef.4:18). Até mesmo as passagens fortes que dizem que Deus “endureceu” o coração de Faraó parecem vir apenas depois de o próprio Faraó ter endurecido o seu coração (Êx.7:13,14,22; 8:15,19,32). De fato, o último versículo diz: “Mas ainda esta vez endureceu Faraó o coração, e não deixou ir o povo”. E quando Paulo fala em Romanos 9, dos “vasos de ira preparados para a perdição”, deixou implícito que isto resultava de livre escolha, da teimosa rejeição que Deus “suportou com muita longanimidade” (v.22). ). Pedro fala, até, daqueles que chegam ao ponto de “renegarem ao Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição (II Ped.2:11).

O que vimos nos versículos e argumentos acima não deixam dúvidas quanto a nossa responsabilidade diante de Deus e dos homens.

                                                                                                                                                                                          Última edição em 13/09/2015

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