Nomes que não estão escritos no livro

“… Os que habitam sobre a terra e cujos nomes não estão escritos  no livro da  vida desde a fundação do mundo …”  (Apoc. 17:8).                       

Vários intérpretes de inclinação acentuadamente calvinista vêem aqui uma boa dose de «determinismo» como se um nome tivesse sido registrado ou não neste livro, por um decreto divino fixo. Em outras palavras, muitos nomes nunca seriam ali escritos. Essa expressão, é claro, sugere a ideia da predestinação, para a destruição,  por tratar-se de expressão altamente determinista. Rejeitamos, contudo, as idéias da reprovação ativa e da reprovação passiva, até onde vai essa expressão. Apesar de que tal ponto de vista era sustentado por alguns rabinos, e, portanto, provavelmente também por alguns cristãos primitivos, devemos observar que o próprio Apocalipse constitui um convite ao arrependimento, que as pragas que sobrevirão e que ali são preditas, tem a intenção de levar os povos ao arrependimento. (Ver Apoc 2:21; 9:20,21; 16:9,11; e 22:17). Certamente Deus não haveria de zombar dos homens com um falso oferecimento do bem, o qual só pode ser obtido através do arrependimento. Naturalmente, este versículo tem natureza determinista; mas o N. T. contrabalança toda a ideia de determinismo com o ensinamento do real livre-arbítrio do homem, o que o torna responsável por aquilo que ele faz.

“Desde a fundação do mundo”. Isso também figura em Apoc 13:8; mas é provável que ali a expressão seja usada para referir-se ao “Cordeiro que foi morto” nos propósitos divinos, “desde a eternidade passada”. Cristo foi «conhecido de antemão» desde «antes da fundação do mundo». Ele sofreu «desde a fundação do mundo». Todos estes casos sugerem a predestinação, porquanto os eventos, por assim dizer, foram determinados antes da existência do homem, ou desde os primórdios mesmos da terra, ou mesmo antes de qualquer criação. Mas, somente no que se refere à Cristo essa situação é corretíssima. A expiação de Cristo é referida como algo determinado. Não foi algum «pensamento tardio» de Deus, e o pecado não o tomou de surpresa, sem qualquer provisão para o mesmo. A nossa salvação não foi um pensamento posterior de Deus, como um remendo. Graças a Deus por isso! O princípio de sacrifício e redenção é mais antigo que o mundo, pois, na realidade, pertence à essência mesma da deidade. Neste caso específico de Cristo, é algo inteiramente intemporal.

 As conexões da expressão «desde o princípio», segundo alguns estudiosos, seriam com a palavra «escrito», em outras palavras, a eleição seria eterna, desde o passado eterno. Entretanto, uma interpretação mais racional e convincente, seria vincular a expressão «desde o princípio» em 17:8 ao vocábulo «morto» como em 13:8; e, nesse caso aplicaríamos os termos, à expiação que seria concebida como algo que foi planejado desde a eternidade, ou, pelo menos, planejado desde os tempos mais remotos. Sendo assim, entendemos que o nome de alguém é arrolado nos Céus devido a sua fé na expiação de Cristo.

O livro mencionado neste texto de Apocalipse tem uma longa história antes da referência de João a ele (cf. Êx. 32:32; Dan.12:1).  João cria que esses nomes haviam sido escritos no livro desde a fundação do mundo (17:8), mas esta predestinação era condicionada à fé e à fidelidade do homem, visto que Deus podia apagar ou riscar um nome do livro (Êx.32:33). Podemos concluir também, que aqueles que não foram achados escritos no livro são “os  profanos, idólatras, sodomitas, os mentirosos, os cães, os feiticeiros e todos que vivem em pecado. Estes tais não herdarão o reino de Deus”. Compare com Gl 5.19,20 e Ap 21.8; 22.15. Sendo assim, um outro argumento forte quanto a questão do texto, seria que, os que jamais teriam seus nomes escritos no livro mencionado poderiam ser os pecadores que jamais entrariam no reino de Deus. É como se João trouxesse a memória dos leitores que nenhum idólatra, avarento, impuro, ladrão etc, de maneira nenhuma teria seu nome escrito nesse livro, o que é a pura verdade. Não acredito que Deus, lá da eternidade tenha visto o Paulo da Silva que nasceria no século 21, já estaria predestinado a perdição eterna e consequentemente seu nome não poderia ali ser listado. Os pecadores sim e as ações deles é que podem ser escritas neste livro. Regras, e não nomes e endereços. O outro lado também pode ser real, o lado dos cristãos.

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