Ele quer que ninguém pereça

O Calvinismo, principalmente na sua mais extrema facção, chamada de Calvinismo extremado, diz que Deus já condenou muitos ao inferno mesmo antes de terem nascido. Eles garantem que Jesus salva alguns, mas deixou outros entregues ao seu próprio destino, que é a perdição, a qual Deus de antemão decretou para milhões deles. Na verdade, o que tentam insinuar é que Jesus não morreu por todos.

O Calvinismo extremado com suas confusas afirmações é irritante ao extremo, superando todas as outras facções Calvinistas nesse vasto mundo do debate sobre livre arbítrio humano e soberania de Deus. Portanto, para derribar essa fabrica de heresias que transformou a doutrina da Predestinação num jogo de xadrez, eu separei neste artigo uma refutação aos argumentos calvinistas usando alguns textos claros quanto ao desejo de Deus em querer salvar todos os homens. Estes textos, como vamos observar, foram  descaradamente adulterados por eles através da sua confusa exegese.

O significado de II Pedro 3.9

Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento“,

Deus é amor, e como tal não “quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento”. Ele “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (I Tm 2.4). Contrariamente ao pensamento dos calvinistas extremados, isso não significa “os eleitos de todas as nações”. As palavras são limitadas em seus significados pelo contexto. E quando “qualquer”, “todos os homens” e o “mundo inteiro” (I Jo 2.2) são tomadas como significando “alguns”, a linguagem perde o seu significado.

Interpretação dos calvinistas extremados

Os defensores da dupla predestinação não estão inconscientes de que muitos textos se referem a Cristo morrendo pelo “mundo”, “todos os homens” etc. Alguns tentam evitar o impacto óbvio desses versículos criando uma distinção artificial. Dizem que Cristo morreu por todas as pessoas sem distinção, mas não por todas as pessoas sem exceção. Isso é distorção hábil de uma frase, mas é tanto sem conteúdo como sem base. Equivale a dizer que “todos” na verdade significa “alguns” – algo que não tolerariam em outros versículos como “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23)

É perigoso mudar a Palavra de Deus. Deus Espírito Santo era certamente capaz de usar a palavra “alguns” em vez de “todos”. Mas não o fez. Além disso, “cada um” e “todos” são chamados ao arrependimento.

Não devemos admitir esse tipo de ensino, pois seria o mesmo que dizer que Deus não está chamando os não eleitos ao arrependimento, o que é claramente oposto a outros textos da Escritura nos quais ele “ordena que todos em todo o lugar se arrependam” (At 17.30). “Todos, em todo lugar” não significa “algumas pessoas de todos os lugares” ou “algumas pessoas em algum lugar”. O texto fala por si próprio 

O significado claro de I João 2.2

João escreve claramente que “ele [Cristo] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro”. Isso parece tão evidente quem se não fosse pela afirmação distorcida dos calvinistas extremados, nenhum comentário seria necessário.

Interpretação dos calvinistas extremados 

A afirmação calvinista é que “mundo” aqui se refere ao “mundo cristão” a saber, os eleitos. É só fazer um estudo do uso genérico da palavra “mundo” (cosmos) nos escritos de João para confirmar que ele fala aqui do mundo caído e pecaminoso (cf Jo 1.10,11; 3.19) Aliás, João define seu uso do termo “mundo” somente uns poucos versículos mais tarde. No mesmo capítulo, ele afirma que a morte de Cristo é uma satisfação pelos pecados do “mundo inteiro”. Ele diz: “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo, a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens, não provém do Pai, mas do mundo” (I Jo 2.15,16). Isso é claramente  uma descrição do mundo pecaminoso e caído que inclui os não eleitos – por quem Cristo morreu. Mais tarde, ele acrescenta: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do maligno”  (I Jo 5.19). Por mais que se force a imaginação, esse texto não se refere somente aos eleitos!

O significado claro de João 1.29  

No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). À luz do contexto e de outros usos da palavra “mundo” no evangelho de João, deixa evidente que a palavra “mundo” aqui não significa  “a igreja” ou “os eleitos”, mas todos os seres humanos caídos. O apóstolo recorda posteriormente que “Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito” (Jo 3.16). O Significado desejado pela palavra “mundo” é explicitado somente três versículos adiante: “Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más” ((v.19). Isso é claramente a totalidade do mundo caído, como é o sentido de João 16.8: “Quando ele – o Espírito Santo – vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”.

 Interpretação dos calvinistas extremados

À luz do uso explícito que João faz da palavra “Mundo” nas passagens sobre a salvação como referência a todos os seres humanos caídos, é penoso ver a lógica distorcida dos calvinistas extremados como resposta, afirmando que frequentemente  a Bíblia usa palavras mundo e todos num sentido restrito e limitado, acrescentando que todos não significa todos. Então, como apoio citam passagens (como Lc 2.1,2) de outro livro, em outro contexto, usado no sentido geográfico (não redentor), numa tentativa fútil de provar esse ponto. Se “todos” não significa “todos” os seres humanos caídos, então o que o termo significa em Romanos 3.23: “Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”? Significa que somente os eleitos pecaram?

O significado claro de João 3.16,17

Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu filho ao mundo, não pra condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele.”

A afirmação clara é que Deus ama o “mundo”, e a implicação clara é que Cristo foi dado para morrer pelo mundo (Cf. v. 14). Além disso, o versículo 17 torna inconfundivelmente claro que “mundo” aqui significa todo o mundo caído, pois é o mesmo mundo que está debaixo de condenação (v. 17,18). 

Interpretação dos calvinistas extremados 

A resposta dos calvinistas a essa passagem é outra tradução chocante. Ficou registrado por John Owen, um gigante e extremado defensor do calvinismo: “Deus amou tanto os seus eleitos em todo o mundo que deu o seu Filho com essa intenção, que por ele os crentes pudessem ser salvos”!  Isso não carece de resposta, simplesmente um lembrete moderado de que Deus repetidamente nos exorta a não acrescentar ou subtrair nada de suas palavras (Dt 4.2; Pv 30.6; Ap 22.18,19).

Enfim, o Calvinismo extremado não faz sentido algum, apenas serviu para confundir milhões de almas inocentes, as quais, infelizmente, jamais foram curadas dos erros doutrinários relacionados ao assunto predestinação e livre arbítrio.

A Deus toda Honra

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s