Soberania de Deus e Livre Arbítrio

Soberania traz a memória o relacionamento secular governamental. Implica em que há, pelo menos, dois tipos de indivíduos: governo e governados, entre os quais paira um relacionamento regido por leis. O governo, ou soberano, tem autoridade e poderes. O soberano cria “leis” mediante as quais os governados se mantêm em ordem. Contudo, ser soberano não significa que tudo quanto acontece está de acordo com a vontade do soberano, nem que este pode fazer acontecer qualquer coisa que deseje. A habilidade do soberano no desenrolar dos fatos depende em parte da liberdade concedida aos governados.

Se as pessoas submissas ao soberano tiverem liberdade, este poderá fazer que aconteçam algumas coisas. Por exemplo: o soberano não pode obrigar seus súditos a reconhecerem livremente a sua soberania. O soberano pode compelir seus súditos a inclinar-se em sua presença, porém, não pode compeli-los a inclinar-se livremente. Quanto mais liberdade o soberano conceder a seus súditos, menos poderá controlar o comportamento deles, sem retirar-lhes a liberdade. Ao conceder liberdade significativa a seus súditos, o soberano faz que seja possível que sua autoridade encontre resistência. Se o soberano ordena a seus súditos que façam algo, sendo eles inteiramente livres, poderão recusar-se a obedecer, embora ao mesmo tempo, devam arcar com as conseqüências de sua desobediência. O soberano poderá exigir que seus súditos ajam como ele quer, mas ao custo elevado de outros aspectos de sua soberania.

Deus é soberano; ele exerce autoridade e poder sobre a Sua criação. Encontramos afirmações disto tanto no Velho Testamento (I Crôn 29:11; Sal. 115:3) como no  Novo (a parábola do dono da casa rico, de Mateus 20:1-6, e a analogia do oleiro, em Romanos 9:9-24). O alicerce da posição de Deus não está num contrato social, mas no fato de ser Ele o criador e mantenedor do universo.  Deus fez todas as coisas e continua a sustentar o universo “pela palavra do   seu poder”(Heb 1:3; veja-se também Neem 9:6; Sal. 104:29; Col. 1:17)

Deus determinou que haveria de celebrar um pacto com certo povo. Todas as nações  da terra haveriam de ser abençoadas através daquele pacto. Todas as leis desse estado teocrático eram de origem divina. Assim, a soberania divina era exercida mais diretamente sobre aqueles que se colocavam sob aquele pacto. Quando os israelitas quiseram um rei moral reinando sobre eles, de tal maneira que passariam a ser como as nações ao seu redor, Deus exprimiu sua insatisfação, porque só  Ele deveria ser rei em Israel (I Sam. 8:7-9). A Igreja, como  o novo Israel  permanece num relacionamento semelhante quanto à soberania especial de Deus sob o Novo Pacto (Gál. 6:15,16; Heb. 7:22).

DEUS não é um romancista

É preciso máxima clareza para distinguir um soberano de um romancista. Este, o romancista,  cria seus próprios personagens, o enredo, a ambientação e o desenrolar da  história. Todos os participantes da trama fazem exatamente aquilo que o autor determinar, não tendo existência à parte: São o produto do autor. O enredo encaminha-se inexoravelmente para o fim determinado pelo autor. Ocorre apenas aquilo que ele quis que acontecesse, com precisão, não pode haver  variação.

A analogia do dramaturgo que escreve uma peça pode-nos ajudar a compreender melhor. Na peça Shakespeariana Macbeth, o personagem Macbeth assassina o rei Duncam. Ora (supondo por enquanto que esse é um relato de ficção), pode-se perguntar: “Quem matou o rei Duncan?” Em certo sentido, a resposta correta é “Macbeth”. No contexto da peça ele executou o assassinato e certamente deve levar a culpa. Esta certo ou errado? Trazendo para o contexto do estudo, eu diria que é extremamente arriscado responsabilizar Deus por todos os assassinatos que ocorrem ao redor do mundo. Se Ele já escreveu de antemão a história de cada um de nós, temos que concluir que agimos por esta “implacável” determinação divina.  Se compararmos o raciocínio com o relato da ficção, é assim que devemos aceitar a relação de Deus com a criação e as criaturas. Ora, quem matou o rei Duncam foi William Shakespeare, pois foi ele quem escreveu a peça, e Macbeth não poderia ter agido de outra forma. Tudo estava previamente determinado pelo autor.

Deus em sua função de soberano, freqüentemente tem sido confundido com um autor de novelas e peças teatrais. Tem-se afirmado que Deus tem a habilidade privativa de determinar as pessoas que serão criadas, de que modo o serão, o que farão, o que falarão, qual será o  enredo em detalhes, de que maneira os fatos acontecerão, e não de modo geral, mas em particular, para cada indivíduo. É terrível isto amado leitor, pois os personagens deste palco não são pessoas reais; são somente personagens sem nenhuma liberdade própria, nenhuma capacidade de tomar decisões genuínas e assim por diante.

Entretanto, tal perspectiva da soberania divina dificilmente poderia considerar-se adequada. Sobre quem Deus é soberano? Segundo tal perspectiva, Ele não é soberano sobre criaturas que podem livremente reportar-se a Ele. Na verdade, neste cenário não pode existir, nem soberania e nem liberdade alguma. Como num romance fictício, os participantes, na melhor das hipóteses, exercem apenas um livre-arbítrio aparente e ilusório. Consequentemente, a criação transforma-se numa novela muito bem coordenada, mas  bastante enganadora, visto dar a ilusão de livre-arbítrio, ao invés de ser a história da soberania divina sobre criaturas responsáveis, capazes de comunicar-se.

Deus é soberano, de acordo com a Bíblia, no sentido de ter o poder de existir por Si próprio, e o de chamar o universo a existência a partir do nada, pela Sua Palavra. Contudo, a soberania de Deus não precisa significar o que alguns teístas e ateístas afirmam, a saber, que   Deus já determinou cada   minúcia da história do mundo. Soberania quer dizer o poder de criar qualquer universo possível, inclusive um universo que envolve agentes significativamente livres. Tal universo deveria sua existência inteiramente à vontade de Deus, mas, o que acontecesse poderia conformar-se, ou não, com os valores e intenções de Deus. Deus poderia criar um mundo em que Ele determinasse cada minúcia, porém, Ele não é obrigado a fazer isso; no caso de nosso mundo Deus não o criou assim. Deus fez um mundo de verdade e nele nos criou como pessoas reais.

A Onisciência de Deus

Quando se Diz que  Deus criou o mundo é necessário dizer que  Deus existe por   Si próprio, independentemente da criação, e que   Ele  chamou o mundo a existência mediante um ato livre e soberano. Isto significa que acreditamos ser   Deus ontológicamente outro; o mundo depende de Deus, Deus não depende do mundo. A essência de Deus  é existir; Ele existe e é soberano, o mundo existe pela graça, e deve sua existência a Deus. De acordo com a Bíblia, toda a realidade depende de Deus, o criador, e não há limites ao poder de Deus, exceto aqueles que o próprio Deus decidiu aceitar. Todos os seres, menos Deus receberam sua existência do próprio Deus, como uma dádiva, sendo que qualquer autonomia que porventura possuam devem-na também como dádiva.

Dizer  que Deus é o soberano criador significa que  Deus é a base da existência do mundo e a fonte de todas as suas possibilidades. Contudo, Ele não é um manipulador de bonecos fantoches. É perfeitamente possível para  Deus criar um mundo em que  haja relativa autonomia para si mesmo, mundo esse com certas estruturas inteligíveis, racionalmente, e agentes finitos que tenham a capacidade de tomar decisões. Assim Deus concede a criação certo  grau de realidade e poder, não retendo monopólio de poder para Si mesmo. Sua soberania não é do tipo que determina tudo, mas do tipo que é competente em tudo. Certamente Deus é capaz de manejar quaisquer circunstâncias que possam surgir. Contudo, Ele escolheu honrar o grau de relativa autonomia que concedeu ao mundo.

Mas, de que maneira pode Deus fazer  cumprir sua vontade num mundo em que seres finitos tem a capacidade de resistir-lhe? Ele pode fazê-lo por causa da   sua habilidade para substituir as obstruções que as criaturas podem atirar em seu caminho e, assim, resolver cada novo desafio de maneira eficiente. Israel pode resistir e rebelar-se contra os propósitos de Deus, contudo ao longo dos anos os planos de Deus terão  sucesso real. Um indivíduo pode optar por rejeitar o plano de Deus, mas isto não impedirá a vinda do reino de Deus. É possível conceder-se uma faixa de liberdade significativa à humanidade sem temer-se que os planos de Deus não sejam executados.    

Por tudo isso, precisamos reconhecer o que significa a onisciência de Deus. Alta porcentagem dos crentes acredita que Deus já determinou de antemão todas as coisas, até mesmo o futuro, exaustivamente, em minúcias. Isto significa que tudo quanto você e eu fizermos já foi registrado no livro das coisas que certamente haverão de acontecer. Assim sendo, a idéia de que de fato estamos fazendo escolhas, ponderando ações alternativas, é um erro, uma ilusão. Se está hoje diante de Deus, que amanhã você vai escolher a alternativa A, e não a B, a idéia de que você tem, então, de que está tomando uma decisão genuína é errada.

Se é assim, em que sentido é Deus onisciente? Deus é onisciente no sentido que Ele sabe tudo que pode ser conhecido, da mesma forma que Deus é onipotente, no sentido que pode fazer tudo que é possível com relação a sua criação. Contudo, atos livres não são entidades que devem ser conhecidas antecipadamente. Não existem, literalmente, e por isso não faz sentido dizer que podem ser conhecidas. Deus pode conjecturar sobre o que você fará na próxima Sexta-feira, mas não determinará, porque você ainda não agiu.

Apelo ao leitor que leia o texto bíblico com este conceito em mente. O problema é que muitos leitores não lêem assim, embora no meu entender, o desenrolar da história na Bíblia presume este conceito. De acordo com a Bíblia, Deus antecipa o futuro de maneira semelhante à nossa. Deus testa o patriarca Abraão para ver o que ele fará e, em seguida, diz através de seu mensageiro: “Agora sei que temes a Deus” (Gên 22:12). Deus ameaça destruir Nínive, e depois cancela a ameaça, quando a cidade se arrepende (Jo 3:10). Ao ler a Bíblia, não fico com a impressão de que o futuro está todo estabelecido, e no domínio da presciência. O futuro é visto como um campo em que importantes decisões ainda poderão ser tomadas, as quais poderão mudar o curso de muitas vidas, e da história.

Mas, que diremos das profecias, das previsões de acontecimentos futuros? Será que eles provam que Deus sabe tudo a respeito do futuro?  Alta porcentagem das profecias pode ser explicada mediante um dentre três fatores: anuncio antecipado daquilo que Deus pretende fazer, profecias condicionais que deixam os resultados em aberto, e predições baseadas no exaustivo conhecimento de Deus sobre o passado e o presente. Acho que essa variedade de onisciência divina denominada “bola de cristal” – como querem alguns – não tem origem bíblica, nem foi cogitada pelos autores bíblicos. Portanto, não devemos pressupor tal tipo de onisciência. Precisamos ler a Bíblia mais literalmente.

O Deus que se relaciona com sua Criatura

Quando se  começa a explorar este assunto da soberania divina e livre-arbítrio humano termina-se discutindo a doutrina de Deus. Em última análise, o debate neste estudo gira em torno da natureza do teísmo cristãoO perfil de Deus traçado a partir da leitura bíblica se caracteriza pela flexibilidade e dinamismo. Deus é o Deus vivo que age e reage a favor de seu povo. Ele não existe longe de nós, retirado em esplêndido isolamento, abstraído do tempo e das mudanças, mas relaciona-se com suas criaturas e compartilha suas vidas. Eu creio que Deus se relaciona com suas criaturas em todas as dimensões de suas vidas. Esta perspectiva, longe de constituir negação da transcendência do poder de Deus, ao contrário, explica a maneira porque o poder e a transcendência de Deus se manifestam. Numa palavra, Deus é amor. Ele não jaz inativo e impassível, mas constantemente envolvido no tempo e na história.

A Bíblia esta cheia de versículos que retratam Deus reagindo sensivelmente àquilo que acontece na terra. Os teístas clássicos inclinam-se a torcer as passagens sobre tal fato, dizendo que tais expressões são apenas quadros antropomórficos, ou infantis, que não devem ser tomados literalmente; das duas uma: ou Deus , ou a teologia convencional está nos tapeando! Na verdade, estão tentando evitar o que a Bíblia ensina. A Bíblia apresenta Deus de forma muito dinâmica, mas eles querem negar este fato. Tomemos, por exemplo, Jeremias 18. Deus é comparado a um oleiro lidando com o barro. Visto que o modelo se estragara, Deus pensa em começar tudo de novo. Dirigindo-se a Israel através de Jeremias, Deus diz que o que fará com o povo é questão aberta. Se o povo se arrepender, haverá bênçãos; se não se arrepender, ele o abandonará, e enviará o julgamento. Isto nos parece um Deus muitíssimo dinâmico que estrutura sua vontade em reação aquilo que acontece na história, nada havendo parecido com um Deus encerrado em total abstração do tempo, incapaz de mudar, seja no que for.

Segue-se, então, que se quisermos conhecer o Deus da Bíblia teremos de desenvolver novo modo de pensar, no que tange aos atributos de Deus. Rejeitamos o modelo grego de imutabilidade. Embora seja Deus imutável em Sua essência e caráter, Ele é mutável em Seu conhecimento e em Suas ações. Um Deus imutável em todos os sentidos não pode ser o Deus da revelação. Se Ele fosse imutável, segundo o sentido de Platão, o retrato bíblico de um Deus ativo estaria em frangalhos. É claro que Deus é amor; isto jamais mudará. Contudo, o amor de Deus em ação está continuamente mudando em relação ao seu povo. Louvamos a Deus por suas obras maravilhosas, feitas a nosso favor! Esta capacidade para mudar não significa que Deus é caprichoso, ou volúvel. Significa, simplesmente, que Deus é capaz de operar na história cambiante, reagindo a tudo quanto vai acontecendo.

Fonte

Predestinacao e Livre Arbitrio – Autores: Norman Geisler, John Feinberg, Bruce Reichenback, Clark Pinnock – Editora MUNDO CRISTÃO

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7 comentários sobre “Soberania de Deus e Livre Arbítrio

  1. Primeiro temos que entender que Deus não é de confusão, o homem é que é o aflito, segundo; Deus não pensa como homem, por isso o homem não entende as coisas de Deus.
    Terceiro; As palavras de Deus são inseparáveis, elas se completam, mas o homem, com sua mente finita, querendo ser mestre daquilo que não conhece, tentam separar a predestinação, do livre arbítrio, o que é impossível, e, eles que acham possível essa separação, ficam sem ter como explicar, e ficam debatendo como loucos, e não se dão conta, que as palavras de Deus, são ESPÍRITO, e que homem nem é capaz de entender esse espirito de si-mesmo.
    Quanto o livre arbítrio e a predestinação não se contra diz, e existem para gloria de Deus.

    1. Vou deixar aqui a mesma resposta que lhe dei em outro tópico

      Estou sentindo cheiro de Calvinismo no seu comentário. Presumo que você deva ver Deus como um terrorista que vive espalhando destruição por esse mundo afora. Imagina você, caro amigo: Deus castigou alguém e alegou que o castigo foi por causa da transgressão que o pecador cometeu. Dizendo em poucas palavras: Deus puniu porque não fizeram a sua vontade!

      Tens ideia do que isso implica? Implica que alguém fez algo que não estava nos planos de Deus. Se não estava nos planos de Deus, então não foi ele quem determinou desde a eternidade.

      Vou lhe dar um exemplo bíblico. Veja o que Deus fala através do profeta Jeremias:

      Construíram nos montes os altares dedicados a Baal, para queimarem os seus filhos como holocaustos oferecidos a Baal, coisa que não ordenei, da qual nunca falei nem jamais me veio à mente” (Jeremias 19:5).

      Sabe o que os Calvinistas fazem com o prestente texto? Dizem que o ato foi ordenado por Deus desde antes da fundação do mundo. Deus não ordenou, não pensou nem falou nada daquilo. Um absurdo concordar que Deus teria decretado que os israelitas apostatariam da fé e queimariam seus filhos em sacrifício a um deus pagão, e depois teria dito que nunca ordenou uma coisa dessas, como uma típica escusa.

      Algo semelhante Deus diz em Oseias: “Eles instituíram reis sem o meu consentimento; escolheram líderes sem a minha aprovação. Com prata e ouro fizeram ídolos para si, para a sua própria destruição” (Oseias 8:4).

      Aqui os Calvinistas falam a mesma coisa: Que foi decreto de Deus. Veja que confusão os calvinistas armaram para Deus: Deus decreta aquilo, determina, faz com que aconteça, e depois diz que não consente naquilo que ele mesmo ordenou!
      Tem que ter muita paciência!

  2. ISTO FOI MARAVILHOSO ESSE E O DEUS QUE EU ACREDITO, SE NAÕ VALERIA VIVER SE SOMOS TODOS MARIONETES. CREIO PERFEITAMENTE QUE DEUS NOS AMA E AGE E REAGE DE ACORDO COM NOSSAS ESCOLHAS, MESMO AQUELES QUE SÃO CRIADOS PARA A PERDIÇÃO PODEM TOCAR O CORAÇÃO DE DEUS E RECEBER DELE A SUA MISERICORDIA . ENTÃO DEVEMOS CORRER ATRAZ DESTAS PESSOAS E TENTAR AJUDALAS ESSE E O NOSSO DEVER, PARA ISSO ELE CRIOU OS VASOS DA BENÇÃOI QUE DEUS O ABENÇÕE.

  3. DEUS JÁ SABIA QUE CAIM IRIA MATAR SEU IRMÃO ABEL? SIM OU NÃO.

    OBS: NÃO SOU CALVINISTA, E NEM DEFENDO PRINCIPIOS E DOUTRINA DE QUEM QUER QUE SEJA SE NÃO ESTIVER NA BIBLIA. MAS A VERDADE É: SE DEUS NÃO PUNIR ESTA GERAÇÃO, ELE TEM QUE PEDIR DESCULPAS PARA A GERAÇÃO ANTI DILUVIANA E OS SODOMITAS.

    ROMANOS:1:18 EM DIANTE. (DEUS OS A ABANDONOU – OS ENTREGOU A UM SENTIMENTO PERVERSO). E POR QUE DEUS FEZ ISSO?

    1. Vou lhe responder a primeira: “DEUS JÁ SABIA QUE CAIM IRIA MATAR SEU IRMÃO ABEL?”

      Presumo que voce queria fazer a pergunta que todos temem fazer: “Deus planejou que Caim matasse Abel?” Ou: “Deus dirigiu o ato de Caim?”

      De forma alguma. Deus saber não significa que ele planejou. Por outro lado, não sei se você já pensou no fato de que o dia de manhã não existe, nem no nosso mundo e nem em lugar algum. O que isso significa? Significa simplesmente que Deus “não viu” o ato de Caim porque a criação de Deus não é semelhante a uma novela, onde os atores fazem exatamente o que o diretor ordenou: Eles têm que falar, gesticular, sentar-se e levantar-se exatamente como foi ordenado pelo diretor. Nada pode ser de forma diferente. Tudo esta pré-ordenado.

      Por outro lado, podemos questionar por que Deus não interferiu e impediu que Caim fosse morto. Pensamos que essa seria a maneira certa de agir. Bem, então ele poderia agir também imediatamente antes da queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Por que ele não impediu? Ele impediu sim. Veja Gênesis 2:16,17:

      “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.

      É dessa maneira! Ele fala e espera que o homem atenda. Foi dessa forma que Ele criou nosso mundo.

      Com relação a Caim foi a mesma coisa. Veja Gênesis 4:6,7: “E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”.

      Ele não teve domínio algum sobre suas atitudes, mas preferiu levar sua inveja adiante matando seu irmão. Ele pecou. Ele não atendeu a voz de Deus!

      Agora vamos para a segunda pergunta: “ROMANOS:1:18 EM DIANTE. (DEUS OS A ABANDONOU – OS ENTREGOU A UM SENTIMENTO PERVERSO). E POR QUE DEUS FEZ ISSO?”

      Essa era a situação daqueles que resistiram a Deus. Daqueles que insistiram tanto pelo caminho errado, que Deus os entregou aos próprios desejos. Veja todo o contexto dos versos 21 ao 24:

      “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”.

      As coisas não são tão complicadas, meu carto amigo. E se você deseja descomplicar mais, leia os seguintes artigos: “Deus e o Tempo”, “Criados programados para pecar” e “Afinal de contas de quem é a culpa?”

      Deus abençoe

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