Deus é quem efetua em vós …

“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”, Fil 2:13. 

Temos aqui um outro texto que o calvinismo radical promove em defesa de sua doutrina. Além de afirmar que Deus salva a quem quer e envia para o inferno pessoas que não terão chances de misericórdia, propagam ainda que Deus controla cada gesto, atitude, gostos, palavras e etc, de cada indivíduo.

Não devemos entender este versículo como um decreto que determina anteriormente nossas palavras e ações mesmo antes de serem tomadas, ou, que nossas ações como crentes estão todas determinadas por Deus.

 As palavras “… porque Deus é quem efetua …” mostram o lado “divino” da salvação contínua, tal como o versículo anterior mostra o lado “humano”. Ambos esses aspectos dizem uma verdade, e, apesar de parecerem contraditórias essas declarações, até certo ponto, na realidade não são assim as coisas, pois Deus, está sempre com o crente, mas o crente é salvo ao corresponder à graça divina nos termos descritos no versículo anterior. Deste modo, tanto o querer como o efetuar são operações da graça divina manifestada e produzida pela boa vontade de Deus. À primeira vista, parece que toda a responsabilidade é removida dos filipenses, exceto talvez, o consentimento passivo para permitir que Deus trabalhe no meio deles. Não é dito aqui que as ações dos filipenses estão estabelecidas e determinadas antes mesmo de serem tomadas, e que cada gesto ou palavra que gera uma ação, estão predeterminadas, em minúcias, por Deus. No contexto, Paulo provavelmente introduz a promessa da ajuda divina para assegurar a seus amigos que, visto que ele não pode estar com eles (“em minha ausência”), eles não deveriam desesperar-se, mas lembrar-se de que a assistência graciosa de Deus (a “boa vontade ativa” de Deus) encontra-se disponível para efetuar tanto o querer como o realizar (gr. energein, deixa implícita a ação positiva, permanente de levar a aspiração humana à realização). Os versículos 12 e 13 nos ensinam que nossa salvação do pecado dia após dia não é uma coisa que Deus faz sem a nossa vontade, mas consiste de duas partes: 1) Querer a vontade de Deus, e 2) efetuar a vontade de Deus.

“… efetua em vós…” No grego temos aqui o verbo “energeo“, que significa “operar”, “atuar”, “trabalhar”, “vitalizar”. Tudo quanto houver de bom em nossas ações também vem pela operação do auxiliador, o Espírito Santo da Graça, concedido pela boa vontade de Deus que passa a atuar em nós. Portanto, aconselhar, exortar, consolar, fortalecer, estimular e interceder, como atividades do Espírito Santo em nós, são legítimas e evidentes no presente versículo.

Em seus aspectos práticos a concretização do poder de Deus, que em nós reside, nos fornece “a base do encorajamento”, bem como um “incentivo”; pois sabemos que essa estupenda realização chamada “salvação”, pode ser levada a seu término perfeito em nossas almas, posto tratar-se de uma realização divina, e não somente humana. Deus garante a nossa segurança, pois Ele não pode negar-se a si mesmo. Nesse aspecto, e no que depender de Deus, seu amor e providência estão sempre disponíveis; “o Espirito está pronto, mas a carne é fraca” disse o Senhor Jesus. Assim, nós devemos perseverar em obediência até o fim. Nós erramos, mas Deus não! Ora, sabendo disso, devemos ser levados em espírito de humildade e ação de graças, especialmente quando vemos que o amor de Deus vai aumentando diariamente em nós.

“… o querer …” Vemos aqui os impulsos íntimos do coração, mediante o que um homem pode dizer “eu quero”, “eu espero”. Todas essas afirmativas refletem a disposição, o “desejo” do indivíduo. Portanto, o que é dito aqui reflete o resultado direto da influência do Espírito Santo.

O “realizar“, no presente contexto, diz respeito àquelas coisas que acompanham a salvação e a levam a perfeição, a vida moral e a santificação; mas, de maneira geral, todas as coisas contribuem para compor uma vida leal a Cristo; e ao cumprirmos a vontade de Deus, nós mesmos vamos sendo transformados à imagem de Cristo, sempre sob a orientação e ajuda do Espírito Santo.

segundo a sua boa vontade …” Literalmente, diríamos aqui “… em favor de sua vontade …” O sentido destas palavras precisa ser norteado pelo sentido que o trecho de Efé 1: 5,9 lhe dão: levar a realização de seus propósitos soberanos e graciosos para com os homens, na redenção humana oferecida na pessoa de Cristo. Essa é a vontade de Deus, e esse é o seu beneplácito. E isso se manifesta de muitas maneiras em nossa vida diária. Portanto, aprendemos que a vontade divina não envolve uma preferência arbitrária, mas antes, tem alvos específicos e benéficos atinentes aos homens. Tudo está unido ao amor paternal de Deus, operando em nós na qualidade de filhos Seus. As palavras “… boa vontade …”, no original grego, são uma palavra só, “eudokia“, que significa “favor”, “beneplácito”, “boa vontade”. Todas essas expressões referem-se à benevolência de Deus; e Suas operações em nós levam-nos ao bem estar final, a saber, a salvação de nossas próprias almas. Essa é sua vontade.

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